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1 06/12/2019 16:05

Me chamou a atenção um cartaz digital com a publicidade do Natal Iluminado, evento promovido pela Prefeitura de Canavieiras para celebrar a vinda à terra do Deus Menino Jesus Cristo. No cartaz, o anúncio de diversas apresentações de corais de algumas igrejas protestantes, dos alunos da Apae, Percussão Ouro Negro, Grupo de Capeira e mais quem de direito, menos de grupos da Igreja Católica.

Mesmo com a memória fraca, decorrente dos anos vividos, consegui lembrar de um pega pra capar nos festejos natalinos do ano passado, também promovido pela Prefeitura de Canavieiras. A bem da verdade, na festa anterior foram convidados os grupos católicos para abrilhantarem o evento, porém nesse dia a prefeitura não disponibilizou o som e nem equipe de apoio, como fez nos outros dias.

Resultado, o grupo deixou a praça da Bandeira (sítio do evento) sem se apresentar, o que gerou um desconforto entre os organizadores e os participantes dos grupos musicais da Igreja Matriz de São Boaventura. À época, segundo contam os mais chegados entre os dois lados, a culpa seria de um tal de “secretário da maldade”, com o que não concordo, pois quem tem mandato e manda de verdade é o prefeito.

Neste ano, esperavam que o clima estivesse ameno e que tudo correria bem, como mandam os manuais de etiqueta e bom relacionamento, o que não ocorreu, causando outro desconforto. De um lado, a Igreja Católica, que sem ser convidada teria prometido um evento paralelo na praça São Boaventura (em frente a igreja), o que não deve ocorrer sem a licença do prefeito, que professa uma das correntes protestantes.

Pelo que consta, nessa queda de braço existem os resquícios de um entrevero entre o prefeito o padre, por ocasião dos festejos consagrados a São Boaventura, padroeiro de Canavieiras. À época, o comentário geral seria a indisposição do prefeito em contribuir generosamente para a produção da maior festa da cidade, quebrando uma tradição secular no relacionamento entre o poder público municipal e o eclesiástico.

E a demonstrada atitude do prefeito de Canavieiras beira à intolerância religiosa, comportamento bastante criticado e rejeitado pela sociedade atual, mas que está presente em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Sabedores que somos da condição do Estado Laico, os eventos religiosos não devem ser priorizados ou privilegiados apenas para as religiões protestantes, como quer o prefeito, pois não existe primazia.

É condenável o procedimento do prefeito, que nos remete ao século XVI, quando se deu o rompimento de segmentos da Igreja Católica, por questões de crença na Bíblia e no poder de liderança do Papa, o que não a questão de hoje. Não se questionam a quantidade dos sacramentos, muito menos a venda de indulgências para a obtenção do perdão dos pecados, o que são muitos e terríveis.

Essa pendenga não tem como objetivo saber se para ter um lugar no céu é preciso apenas ter fé em Deus ou simplesmente praticar boas ações durante nossa estada neste planeta terra. Tampouco falam ou lembram as 95 teses de Martinho Lutero que causaram o rompimento com a Igreja Católica, iniciando, assim a Reforma Protestante. Não, o mote da questão é simplesmente intolerância religiosa.

A bem da verdade, o ponto negativo da questiúncula canavieirense é o acirramento de um bate-boca entre irmãos cristãos, tema que deve ser totalmente desconhecido para o prefeito, “cristão novo”, nas messes protestantes. Sua atitude chega a destoar entre os fiéis da própria igreja a que frequenta, por não conhecer os ensinamentos do Evangelho que prega o amor ao próximo.

Além do sentimento religioso que o prefeito teima em desconhecer, existe, ainda, o aspecto de civilidade, no qual toda a sociedade convive de forma harmoniosa, respeitando as culturas e religiosidade de cada um. As pessoas não cumprimentam apenas o seu irmão de igreja, eles convivem familiarmente de forma harmoniosa, negociam, se ajudam e até votam em candidatos que professam religião diferente, como os votos que o prefeito recebeu.

Seria ridículo Canavieiras ser apontada como a cidade da cisma, em que é promovido um festejo de Natal para os evangélicos e outro exclusivamente para os católicos. Canavieiras é uma sociedade civilizada e não há que falarmos em precedentes deste tipo, a exemplo do que aconteceu nos anos 1950, quando houve um embate entre as igrejas Presbiteriana e Católica, que se digladiaram pelos serviços de alto-falantes.

Quem assim procede não é seguidor de Cristo, não conhece os ensinamentos do evangelho, verdadeira fonte de sabedoria e santidade.

*Radialista, Jornalista e Advogado

 

 


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