Levantamento da Vale FM e Costa Sul FM mostra preços acima de R$ 7 em municípios do interior; impostos representam parcela significativa, mas não explicam sozinhos a variação nas bombas.
O preço da gasolina voltou a chamar atenção na Bahia, principalmente em municípios onde o litro ultrapassa os R$ 7. Em meio às diferenças encontradas entre as cidades, um ponto pesa diretamente no bolso de todos os motoristas: a quantidade de impostos embutida no preço de cada litro.
Em 2026, os tributos fixos sobre a gasolina somam aproximadamente R$ 2,46 por litro, sendo R$ 1,57 de ICMS e R$ 0,89 de tributos federais.
Quando a gasolina custa R$ 7,34, como no levantamento realizado em Amargosa, os R$ 2,46 em tributos representam cerca de 33,5% do preço final.
Na prática, isso significa que aproximadamente um terço do valor pago pelo motorista está relacionado à tributação.
Uma nota fiscal emitida em um posto de Rafael Jambeiro ajuda a visualizar essa cobrança.
Nota fiscal emitida em um posto de Rafael Jambeiro - Foto: Vale FM
O consumidor abasteceu 52,011 litros de gasolina e pagou R$ 342,75. No documento, aparecem R$ 119,28 em tributos incidentes, divididos em:
-R$ 39,76 em tributos federais;
-R$ 79,52 em tributos estaduais;
-R$ 0,00 em tributos municipais.
O valor representa aproximadamente 34,8% de todo o abastecimento.
É uma conta que chama atenção: em uma compra de pouco mais de R$ 340, quase R$ 120 aparecem relacionados aos tributos.
Quanto o imposto pesa no litro?
Tomando a gasolina de R$ 7,34 como referência, o consumidor paga:
R$ 7,34 pelo litro
− R$ 2,46 em tributos
= R$ 4,88 restantes
Esses R$ 4,88 não representam “o preço real” da gasolina sem imposto. Eles ainda precisam cobrir toda a cadeia: petróleo, produção, mistura de etanol, transporte, distribuição, custos dos postos e comercialização.
Mas a comparação deixa evidente o tamanho da carga: os R$ 2,46 de tributos equivalem a cerca de metade dos R$ 4,88 que permanecem depois da tributação.
É uma cobrança que pesa especialmente para quem utiliza o veículo diariamente e não tem como reduzir o consumo.
O levantamento da Rádio Vale FM e da Costa Sul FM encontrou a gasolina por R$ 6,49 em Salvador, R$ 6,59 em Rafael Jambeiro, R$ 7,34 em Amargosa, R$ 7,38 em Santo Antônio de Jesus, entre R$ 7,33 e R$ 7,36 em Canavieiras e até R$ 7,78 em Belmonte.
A diferença chega a R$ 1,29 por litro. Para quem abastece 50 litros, o impacto chega a R$ 64,50 a mais no bolso.
Os impostos representam uma parcela significativa do preço final da gasolina, mas seguem regras estaduais e federais. Por isso, a carga tributária, sozinha, não explica por que consumidores de determinadas regiões pagam valores tão diferentes pelo litro do combustível.
Custos de transporte, distância das bases de distribuição, frete, logística, despesas operacionais e concorrência podem influenciar o valor final. Mas os números levantados deixam uma pergunta: quanto cada um desses fatores pesa, de fato, no preço pago pelo consumidor?
Se a gasolina custa R$ 6,49 em Salvador e chega a R$ 7,78 em Belmonte, o que explica essa diferença de quase R$ 1,30 por litro entre cidades do mesmo estado?
O consumidor conhece apenas o valor apresentado na bomba. Ele paga os impostos, paga os custos da cadeia de distribuição e assume o preço final, mas nem sempre consegue identificar quanto representa cada etapa até a gasolina chegar ao tanque.
O levantamento mostra, portanto, que a discussão sobre o preço do combustível na Bahia vai além da tributação: envolve também entender como o valor é formado e por que algumas regiões acabam pagando mais caro para abastecer.
Redação: Vale FM







