Vídeo em rede social reacende debate sobre o poder de compra do brasileiro
Um vídeo que viralizou nas redes sociais comparando o preço do frango e o poder de compra de trabalhadores em Inglaterra, Portugal, Estados Unidos, Itália, Irlanda e Brasil reacendeu o debate sobre a situação econômica do brasileiro. A conclusão apresentada chama atenção: entre os países analisados, o trabalhador brasileiro é o que precisa dedicar mais tempo de trabalho para comprar o alimento.
O estudo considera o preço do quilo do frango, o salário mínimo de cada país e a carga tributária incidente sobre o produto. Segundo os autores, no Brasil, dois frangos custam R$ 74,50, o equivalente a cerca de 10 horas e 6 minutos de trabalho. Nos Estados Unidos, o tempo necessário seria de aproximadamente 01 hora e 10 minutos; na Inglaterra 41 minutos; na Irlanda apenas 38min; na Itália 01 hora e 03 minutos; e em Portugal, 01 hora e 38 minutos. "Isso não é sobre conversão. É sobre o poder de compra refletido nos alimentos", afirma a narração.
A comparação vai além do preço do frango. Embora o Brasil tenha a maior economia da América Latina, estudos de Paridade do Poder de Compra (PPC) mostram que o país possui poder de compra médio inferior ao de Chile, México, Argentina e Uruguai. Especialistas atribuem esse cenário a fatores como inflação, elevada carga tributária sobre o consumo, desigualdade de renda, baixa produtividade e desvalorização do real.
Na prática, a percepção de muitos brasileiros é que o custo de vida cresce mais rápido que a renda. Alimentos, energia, transporte, moradia e serviços essenciais consomem uma parcela cada vez maior do orçamento, reduzindo a capacidade de consumo e de formação de patrimônio.
Como consequência, o crédito passou a ocupar um papel central na vida das famílias. Financiar imóveis, veículos, eletrodomésticos e em algumas situações parcelar até a compra de alimentos, faz parte da economia, mas hoje milhões de brasileiros também recorrem a empréstimos e parcelamentos para equilibrar as contas do mês. Para muitos analistas, o crédito deixou de financiar apenas projetos e passou a compensar a perda do poder de compra.
Embora indicadores oficiais apontem melhora em alguns aspectos da economia, economistas destacam que uma avaliação completa também deve considerar fatores como informalidade, subocupação, custo de vida, endividamento e vulnerabilidade social. O crescimento da população em situação de rua em diversas cidades e o elevado comprometimento da renda das famílias com dívidas reforçam a percepção de que a realidade cotidiana nem sempre acompanha os indicadores macroeconômicos.
O vídeo acabou transformando um alimento básico em símbolo de uma discussão maior: quando o trabalhador precisa dedicar cada vez mais horas para comprar produtos essenciais, o debate deixa de ser apenas econômico e passa a refletir diretamente a qualidade de vida da população.
Redação: RBR






