Empresário preso desde março tenta novo acordo de colaboração após duas negativas da Polícia Federal
A Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a transferência do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para um presídio comum. O pedido foi apresentado após a corporação rejeitar, pela segunda vez, uma proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa do investigado.
Vorcaro está preso preventivamente desde 19 de março, quando foi transferido para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após manifestar interesse em negociar um acordo de delação. A mudança de local de custódia havia sido autorizada pelo ministro André Mendonça justamente para permitir reuniões com advogados durante as tratativas da colaboração.
Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, a Polícia Federal considerou que os elementos apresentados pelo empresário não trouxeram fatos novos suficientes para justificar um acordo de colaboração. Além disso, investigadores avaliaram que parte das informações já era de conhecimento das autoridades ou poderia ser obtida por outros meios de investigação.
A defesa encaminhou uma nova proposta à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR), sustentando que o material contém informações mais amplas e detalhadas sobre os fatos investigados. A PGR ainda pode analisar o conteúdo apresentado.
Daniel Vorcaro é apontado como um dos principais alvos da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção, invasão de dispositivos eletrônicos, organização criminosa e outras irregularidades ligadas ao sistema financeiro. As apurações tiveram início em 2024 e já resultaram em diversas fases operacionais, com prisões, buscas e bloqueios bilionários de bens.
Em março deste ano, uma nova etapa da operação levou novamente à prisão do empresário. Na ocasião, a Polícia Federal apontou indícios de continuidade de atividades investigadas, além de suspeitas relacionadas à ocultação de patrimônio, influência sobre testemunhas e possíveis tentativas de interferência nas apurações.
As investigações também alcançaram outros executivos, familiares e pessoas ligadas ao grupo econômico investigado. Entre os alvos estão ex-dirigentes de instituições financeiras e operadores apontados pela Polícia Federal como integrantes de núcleos responsáveis por movimentações financeiras sob suspeita.
O pedido de transferência para um presídio comum ainda depende de decisão do ministro André Mendonça. Enquanto isso, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República continuam analisando os desdobramentos da investigação.
Redação: Vale FM






