A última ocorrência significativa do fenômeno foi registrada entre 2023 e 2024
O fenômeno climático conhecido como El Niño foi oficialmente confirmado na quinta-feira (11), após meses de monitoramento por centros meteorológicos internacionais. O evento ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal durante um período prolongado, alterando os padrões de circulação atmosférica e influenciando o clima em diversas regiões do planeta.
O El Niño acontece de forma irregular, geralmente em intervalos de dois a sete anos, e faz parte de um ciclo climático natural chamado Oscilação Sul-El Niño (ENSO). Seus efeitos podem incluir secas severas em algumas regiões, chuvas acima da média em outras, aumento das temperaturas globais e mudanças na atividade de tempestades e furacões.
A última ocorrência significativa do fenômeno foi registrada entre 2023 e 2024. Naquele período, o mundo enfrentou recordes históricos de calor, eventos extremos de chuva, secas prolongadas e impactos na produção agrícola de vários países. O episódio foi considerado um dos mais intensos já observados e contribuiu para que 2024 fosse apontado como um dos anos mais quentes da história moderna.
As primeiras projeções para o retorno do El Niño em 2026 começaram a ganhar força ainda em abril. Na ocasião, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou que a probabilidade de formação do fenômeno já ultrapassava 60% para o trimestre entre maio e julho. Pouco depois, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que havia cerca de 61% de chance de estabelecimento do fenômeno ainda no primeiro semestre, com possibilidade de persistência até 2027.
Em maio, os alertas aumentaram. A NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, elevou o monitoramento e indicou que o aquecimento do Pacífico estava avançando rapidamente. No fim daquele mês, especialistas já apontavam probabilidades superiores a 80% e até 90% para a formação do fenômeno durante o inverno do Hemisfério Sul.
A confirmação oficial veio após a constatação de que as condições oceânicas e atmosféricas necessárias já estavam estabelecidas. Segundo o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, as condições de El Niño se desenvolveram ao longo das últimas semanas e agora estão presentes no Pacífico Equatorial, devendo se fortalecer durante o segundo semestre de 2026 e atingir seu pico entre o final deste ano e o início de 2027.
Meteorologistas alertam que este episódio pode se tornar um dos mais fortes desde o início dos registros modernos, em 1950. Há cerca de 63% de probabilidade de que o evento entre para a lista dos maiores já observados.
No Brasil, os impactos mais comuns do El Niño costumam incluir chuvas acima da média na Região Sul, aumento do risco de enchentes e deslizamentos, além de períodos de calor intenso em áreas do Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste. O fenômeno também pode provocar alterações na produção agrícola, afetando culturas como milho, soja, café e arroz, com reflexos nos preços dos alimentos e na economia.
Especialistas ressaltam que cada episódio apresenta características próprias, mas o consenso atual é que o planeta deve enfrentar um período de maior instabilidade climática nos próximos meses, com potencial para eventos extremos em diversas partes do mundo.
Da Redação CSFM






