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11/06/2026 14:35

O MP-BA argumenta que alguns contratos apresentam reajustes acima da inflação e podem representar risco ao erário público.

O anúncio do cachê de R$ 1,5 milhão para a apresentação de Gusttavo Lima no Itapedro 2026, em Itabuna, recolocou em evidência uma discussão que tem marcado os festejos juninos da Bahia nos últimos anos: até quando os cofres públicos devem financiar contratações artísticas milionárias para festejos tradicionais? A situação têm sido amplamente noticiadas no Estado, e órgãos de controle têm igualmente questionado a legalidade e a razoabilidade de tais gastos.

Com o valor, Gusttavo Lima passou a ocupar o topo do ranking dos maiores cachês do São João baiano em 2026, superando a dupla Zé Neto & Cristiano, contratada por R$ 905 mil por apresentação. O crescimento dos valores pagos a artistas tem provocado reações do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que intensificou a fiscalização sobre contratos firmados por prefeituras para os festejos juninos.

A situação ganhou novos capítulos neste ano com recomendações para redução de cachês e suspensão de pagamentos em diversos municípios. O MP-BA argumenta que alguns contratos apresentam reajustes acima da inflação e podem representar risco ao erário público.

E, entre os casos de maior repercussão está o do cantor Flávio José. Após questionamentos sobre o valor de seus contratos para apresentações no estado, o artista anunciou o cancelamento de toda a agenda prevista para a Bahia durante o São João de 2026. Segundo informações divulgadas pelo próprio cantor e confirmadas posteriormente, cerca de 15 apresentações deixaram de acontecer após o impasse envolvendo os cachês.

Um outro caso que chamou atenção do poder público ocorreu no município de Irecê. O show do cantor Wesley Safadão, contratado por R$ 1,5 milhão, passou a ser alvo de questionamentos dos órgãos de controle e teve os pagamentos incluídos em uma determinação de suspensão analisada pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), após representação do Ministério Público.

O próprio Itapedro, em Itabuna, também entrou na mira da fiscalização. O MP-BA protocolou representação no TCM pedindo a revisão dos cachês das atrações contratadas para a festa, especialmente os de maior valor, além da apresentação dos processos administrativos que justificaram as contratações. A medida busca adequar pagamentos considerados acima dos parâmetros utilizados pelos órgãos de controle.

A discussão não se limita apenas aos números. Especialistas em gestão pública apontam que festas populares possuem importância econômica, cultural e turística para os municípios, mas defendem maior transparência e critérios técnicos para a definição dos valores pagos aos artistas. Em diversas cidades baianas, os gastos com atrações passaram a ser comparados com demandas locais nas áreas de saúde, infraestrutura e educação, ampliando o debate sobre prioridades na aplicação dos recursos públicos.

E, enquanto artistas de grande projeção nacional seguem negociando cachês que ultrapassam a casa dos milhões, cresce a pressão dos órgãos fiscalizadores para que as contratações observem critérios de razoabilidade, economicidade e interesse público.

Quanto ao resultado desse embate? Bem, ele já aparece na programação junina de 2026, que está marcada por revisões de contratos, recomendações de redução de valores e cancelamentos de apresentações em diferentes municípios da Bahia, que segue com inúmeros problemas na saúde, educação, infraestrutura e segurança-pública.

 

Da Redação CSFM







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