Entidades do setor produtivo criticam fim da escala 6x1 e afirmam que medida pode elevar custos e afetar empregos
Confederações empresariais e frentes parlamentares ligadas ao setor produtivo iniciam, nesta terça-feira (3), uma mobilização contra a proposta defendida pelo governo federal de reduzir a jornada semanal de 44 horas e extinguir a escala 6x1.
O movimento começa com um almoço na sede da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em Brasília, que deve reunir mais de 50 entidades. Entre elas estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
As entidades argumentam que a proposta carece de estudos mais aprofundados e alertam que a redução da jornada, sem aumento de produtividade, pode elevar os custos das empresas e comprometer a geração de empregos.
Estudo aponta aumento de custos
Durante o encontro, deve ser apresentado um estudo elaborado pelos especialistas Eduardo Pastore e José Pastore, professor da Universidade de São Paulo (USP). O levantamento indica que o custo unitário do trabalho pode subir cerca de 10% caso a jornada seja reduzida para 40 horas semanais e até 22% se for fixada em 36 horas.
Segundo os dados, 68% das empresas brasileiras têm até cinco funcionários, o que dificultaria a substituição de mão de obra por tecnologia. Para esse grupo, o impacto seria maior.
Resistência no Congresso
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), classificou a proposta como eleitoreira e afirmou que a discussão ganhou velocidade em ano de eleições.
Na Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, parlamentares também sinalizaram resistência à proposta e indicaram que não pretendem negociar compensações, como desoneração da folha de pagamento, caso o texto avance no Congresso.
A presidente interina da frente, deputada Bia Kicis (PL-DF), afirmou que o debate precisa considerar os impactos econômicos e não deve ser tratado como um embate entre empresários e trabalhadores.
Já o presidente da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo, deputado Julio Lopes (PP-RJ), declarou que a redução da jornada não deve avançar sem discussão sobre produtividade e competitividade.
A proposta ainda está em fase de debate e, caso avance, precisará passar por votação no Congresso Nacional.
Da redação: Vale FM







