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02/03/2026 16:56

Especialistas apontam impactos no setor energético, agricultura e inflação diante da escalada militar entre EUA, Israel e Irã

A intensificação do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã tem repercussão nos mercados globais e preocupa analistas quanto aos efeitos para o Brasil.

Os preços do petróleo subiram com força nesta segunda-feira (2), após empresas suspenderem o transporte de combustíveis pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para a produção mundial. A commodity chegou a registrar alta de 12%, reduzindo depois para 8%, enquanto bolsas de valores pelo mundo apresentaram queda generalizada.

Robson Gonçalves, economista da FGV, avalia que o aumento nos preços do petróleo já evidencia os impactos imediatos da crise. Já Ligia Maura Costa, advogada e professora da Fundação Getúlio Vargas, destaca que o conflito compromete a segurança energética global. "Quando mísseis atingem a Arábia Saudita, não é apenas uma escalada regional, mas um abalo direto na segurança energética do mundo", afirma.

Embora o Brasil seja exportador de petróleo fora da zona de risco, o país não está imune às consequências do conflito. Costa ressalta que o benefício do preço mais alto para a Petrobras não compensa outros efeitos negativos:

- Fertilizantes mais caros: o Brasil importa a maior parte desses insumos essenciais para o agronegócio, elevando os custos de produção.
- Pressão inflacionária: o aumento de energia e insumos pode impactar a inflação, tornando mais difícil a política de redução da taxa de juros.

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que a continuidade do conflito pode antecipar a suspensão do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central, caso se intensifiquem os riscos de repasse de custos para os preços.

Impactos globais
O Estreito de Ormuz é responsável por aproximadamente 20% do petróleo mundial, principalmente da Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Pedro Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, explica que, embora fisicamente o canal não possa ser fechado, os bombardeios e o receio de ataques levam empresas a suspenderem a passagem de navios.

As consequências incluem:

- Aumento global do preço do petróleo: podendo ultrapassar US$ 100 por barril.
- Elevação nos preços de combustíveis: impacto direto nos custos para consumidores e empresas.
- Risco de recessão: devido à pressão sobre a economia global.

Países como Índia, China e Japão, grandes importadores de petróleo pelo estreito, são especialmente afetados. Do lado da oferta, nações exportadoras como Arábia Saudita e Catar também enfrentam perdas de receita significativas caso a circulação de navios seja interrompida.

Redação: Vale FM







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