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12/02/2026 17:34

Levantamento mostra que 80% das mulheres têm medo de passar por situações de assédio e reforça a importância de campanhas de prevenção

Quase metade das mulheres brasileiras (47%) já enfrentou alguma forma de assédio sexual durante o Carnaval, e 80% delas afirmam ter receio de passar por esse tipo de situação, aponta pesquisa do Instituto Locomotiva, divulgada nesta quarta-feira (11). O levantamento também indica que 86% dos entrevistados concordam que o assédio ainda é uma realidade na festa.

Segundo Maíra Saruê, diretora de pesquisa do instituto, os dados revelam um problema que vai além da folia. “Estamos falando do direito de ir e vir, do direito ao lazer e de ocupar os espaços públicos da cidade. Participar ou não do Carnaval é uma decisão individual, mas poder ter acesso a ele é um direito essencial”, afirmou.

O estudo mostra que o assédio influencia diretamente a forma como as mulheres aproveitam a festa. Para se proteger, muitas adotam estratégias como andar em grupo, planejar rotas mais seguras e evitar determinados horários, transformando um momento que deveria ser de diversão em preocupação constante.

Diferenças entre homens e mulheres
A pesquisa ouviu 1.503 pessoas com mais de 18 anos em todo o país, representando a população brasileira. Também foram levantadas opiniões sobre comportamentos que configuram violência sexual. Entre os dados:

- 22% acreditam que quem está pulando Carnaval sozinho “quer ficar com alguém” (28% entre homens e 16% entre mulheres);
- 18% consideram que a roupa de uma mulher pode indicar intenção de beijar (23% homens, 13% mulheres);
- 17% entendem que, no Carnaval, “ninguém é de ninguém” (20% homens, 14% mulheres);
- 10% de todos os entrevistados e 12% dos homens acham aceitável que um homem “roube” um beijo de uma mulher alcoolizada durante a festa.

Maíra destaca que esses pensamentos não só justificam a violência como também afastam mulheres da festa. “O assédio é tão presente que muitas acabam achando que o Carnaval não é para qualquer uma, porque temem ser alvo desses comportamentos.”

Por outro lado, a pesquisa mostra consenso sobre a responsabilidade de combater a violência: 86% afirmam que todos devem atuar na prevenção, sendo 89% dos homens e 82% das mulheres. Além disso, 96% reconhecem a importância das campanhas contra o assédio durante o período carnavalesco.

“Essa é uma responsabilidade coletiva. Não é um problema das mulheres, é da sociedade como um todo. Precisamos mudar o comportamento de todos para que as mulheres sejam respeitadas e os homens adotem atitudes diferentes”, conclui Maíra Saruê.

Redação: Vale FM







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