Avaliação expõe fragilidades na formação médica e acende alerta sobre a expansão de cursos no estado
Quase metade dos cursos de Medicina avaliados na Bahia obteve desempenho considerado insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed 2025), segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Dos 26 cursos avaliados no estado, 12 receberam nota 2, índice abaixo da média aceitável, que varia de 1 a 5. Com esse resultado, essas instituições poderão sofrer sanções como redução de vagas, suspensão de novos ingressos e bloqueio de acesso a programas federais, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Prouni.
No cenário nacional, a situação também preocupa. Dos 351 cursos de Medicina avaliados em todo o país, cerca de 30% ficaram nas faixas 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo MEC. Ao todo, aproximadamente 89 mil estudantes participaram do exame, sendo cerca de 39 mil concluintes. Apenas 75% atingiram desempenho considerado proficiente, o que significa que um em cada quatro alunos não demonstrou conhecimento adequado ao final da graduação.
Situação na Bahia
Entre os cursos baianos com nota abaixo da média, apenas uma instituição é pública: a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Teixeira de Freitas. As demais são faculdades privadas, muitas delas criadas nos últimos anos durante o processo de expansão do ensino médico no país.
Confira alguns dos cursos da Bahia que receberam nota 2 no Enamed:
- Centro Universitário Maurício de Nassau – Barreiras
- Centro Universitário Unime – Lauro de Freitas
- Centro Universitário Zarns – Salvador
- Faculdades Integradas do Extremo Sul da Bahia – Eunápolis
- Faculdade AGES de Medicina – Jacobina e Irecê
- Faculdade Estácio – Alagoinhas e Juazeiro
- Afya Faculdade de Ciências Médicas – Itabuna e Vitória da Conquista
- Faculdade Pitágoras de Medicina – Eunápolis
- Universidade Federal do Sul da Bahia – Teixeira de Freitas
Por outro lado, quatro instituições no estado alcançaram a nota máxima (5), enquanto outras ficaram nas faixas 3 e 4, consideradas satisfatórias.
Punições e supervisão
O ministro da Educação, Camilo Santana, confirmou que os cursos com notas 1 ou 2 passarão por processos de supervisão. As penalidades variam conforme o desempenho: desde a proibição de ampliar vagas até a suspensão total de novos ingressos. Caso o baixo rendimento se repita em avaliações futuras, o MEC não descarta medidas mais duras, incluindo o fechamento de cursos.
Segundo o ministério, as medidas têm como objetivo garantir padrões mínimos de qualidade na formação médica e evitar a manutenção de cursos que não entregam preparo adequado aos futuros profissionais de saúde.
Um alerta necessário
Os dados do Enamed reforçam um alerta que já vinha sendo feito por especialistas: a rápida expansão de cursos de Medicina, principalmente no setor privado, nem sempre foi acompanhada de investimentos suficientes em estrutura, corpo docente e campos de prática. O resultado aparece agora nos números e levanta questionamentos sobre a qualidade da formação oferecida e os riscos diretos para o sistema de saúde e para a população que depende desses profissionais.
A avaliação expõe a necessidade de mais rigor na autorização e fiscalização desses cursos, além de um debate mais amplo sobre o modelo de expansão do ensino médico no Brasil.
Redação: Vale FM








