Senador declarou crescimento de cerca de 630% em oito anos, com crédito de R$ 13,8 milhões por imóvel e milhões em investimentos na nova relação de bens
O senador Jaques Wagner (PT-BA) chega às eleições de 2026 com R$ 24.522.355,65 declarados à Justiça Eleitoral. O valor é muito superior aos R$ 3.355.966,73 informados pelo parlamentar em 2018.
Em oito anos, a diferença chega a R$ 21,16 milhões, um crescimento de aproximadamente 630%.
E não é apenas o tamanho da evolução que chama atenção. A própria composição do patrimônio coloca uma operação imobiliária de alto valor no centro da declaração.
Wagner informa um crédito de R$ 13.834.129,00, descrito como resultado da venda de um imóvel para o Esporte Clube Bahia e a Lagoons Empreendimentos SPE Ltda. O valor corresponde a mais da metade de todo o patrimônio declarado para 2026.
Trata-se de um terreno de aproximadamente 51 mil metros quadrados em Camaçari. Segundo a defesa, as negociações começaram em 2024 e foram formalizadas em 2025, antes da operação da Polícia Federal.
Além desse crédito, a declaração reúne milhões em investimentos. São R$ 3,59 milhões no BB Plus, R$ 1 milhão no BVB-BB e R$ 848,9 mil em VGBL na Brasilprev, entre outros ativos. Também aparecem apartamento em Salvador, participação em um sítio em Andaraí e seis veículos.
Em 2018, Wagner declarava aplicações financeiras de R$ 748 mil, ações de R$ 438,7 mil, imóveis em Salvador, Rio de Janeiro, Camaçari e Andaraí, além de veículos.
A coincidência com a investigação
A evolução patrimonial aparece em um momento especialmente sensível para o senador. Wagner é investigado pela Polícia Federal no caso Banco Master.
Em 18 de junho de 2026, durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, ele foi alvo de busca e apreensão. Naquele mesmo dia, em entrevista à BandNews TV, Wagner afirmou que não tinha empresa e que seu patrimônio era formado pelo apartamento onde mora e pelo sítio em Andaraí.
A declaração entregue à Justiça Eleitoral, contudo, apresenta um patrimônio muito mais amplo, com investimentos milionários, veículos e o crédito imobiliário de R$ 13,8 milhões.
O negócio envolvendo o terreno também entrou no contexto da investigação. A transferência do imóvel foi atingida por uma ordem de indisponibilidade determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Wagner nega irregularidades. Sua defesa sustenta que a negociação imobiliária foi regular e não possui relação ilícita com sua atuação política.
Os documentos eleitorais não permitem, sozinhos, concluir que houve qualquer ilegalidade. Mas colocam lado a lado uma evolução patrimonial superior a R$ 21 milhões, uma operação imobiliária de R$ 13,8 milhões e uma investigação federal que também alcança negócios relacionados ao senador.
É nesse cruzamento de informações que surge a principal pergunta: o que exatamente explica a multiplicação do patrimônio declarado por Jaques Wagner em oito anos?
A resposta está parcialmente nos próprios registros eleitorais, especialmente no crédito imobiliário e nos investimentos. O restante deverá ser esclarecido pela documentação das operações e pelo avanço das investigações.
Até o momento, Wagner não foi condenado e as apurações sobre o caso Banco Master continuam em andamento.
Veja o valor do patrimônio declarado por Jaques Wagner em 2018 clicando no link abaixo:
https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/NORDESTE/BA/2022802018/50000607712/2018/BA
Veja o valor do patrimônio declarado por Jaques Wagner em 2026 clicando no link abaixo:
https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/NORDESTE/BA/20322002026/50002536317/2026/BA
Redação: Vale FM






