Brasil está próximo de atingir a cota de exportação para a China, e carne embarcada acima do limite poderá pagar tarifa total de 67%.
O setor da pecuária brasileira acompanha com preocupação os efeitos das novas regras impostas pela China para a importação de carne bovina. O Brasil está próximo de atingir a cota anual de exportação permitida sem sobretaxa e, quando esse limite for alcançado, os embarques excedentes passarão a pagar uma tarifa total de 67%, o que pode reduzir a competitividade da carne brasileira no principal mercado comprador do produto.
De acordo com levantamento da consultoria StoneX, até o fim de junho o Brasil já havia utilizado 98,5% da cota de 1,106 milhão de toneladas estabelecida para 2026. Considerando o tempo médio de aproximadamente 45 dias entre o embarque da carga e sua chegada aos portos chineses, a expectativa é que o limite seja completamente atingido em agosto.
A medida faz parte das salvaguardas comerciais adotadas pela China para proteger seus produtores de carne bovina. Desde 1º de janeiro deste ano, as exportações brasileiras dentro da cota seguem sujeitas à tarifa regular de 12%. Porém, toda a carne enviada acima do limite passa a pagar uma sobretaxa adicional de 55%, elevando a tributação total para 67%. A regra terá validade inicial de três anos, com aumento gradual das cotas anuais.
Os primeiros reflexos já aparecem na indústria. Segundo a StoneX, diversos frigoríficos reduziram o ritmo de abates destinados ao mercado chinês e algumas unidades concederam férias coletivas aos funcionários, principalmente diante da expectativa de menor volume de exportações no terceiro trimestre.
A China respondeu por cerca de metade das exportações brasileiras de carne bovina em 2025. No ano passado, o país asiático importou aproximadamente 1,68 milhão de toneladas do produto brasileiro, volume bem superior à cota fixada para este ano. Com isso, cerca de 580 mil toneladas que normalmente seriam destinadas ao mercado chinês precisarão ser absorvidas pelo mercado interno ou redirecionadas para outros países.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que as exportações brasileiras de carne bovina poderão registrar queda de até 10% em 2026. A entidade calcula que o impacto financeiro para o setor pode alcançar cerca de US$ 3 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 16,5 bilhões.
O setor também avalia alternativas para reduzir os impactos da medida. Entre elas estão a ampliação das vendas para mercados como Oriente Médio, Sudeste Asiático e a expectativa de abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira. Representantes da cadeia produtiva, no entanto, afirmam que nenhum desses destinos possui capacidade para substituir, no curto prazo, o volume atualmente adquirido pela China.
Redação: Vale FM






