Relatório aponta crescimento da doença, desigualdade no acesso ao tratamento e aumento do impacto financeiro para pacientes em todo o mundo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um novo alerta sobre o avanço do câncer no mundo e estima que, sem medidas mais amplas de prevenção, diagnóstico precoce e ampliação do acesso ao tratamento, o número anual de novos casos poderá chegar a quase 35 milhões até 2050. Atualmente, são registrados cerca de 20,6 milhões de novos diagnósticos e aproximadamente 10 milhões de mortes por ano em decorrência da doença.
Os dados fazem parte do Relatório Global sobre a Situação do Câncer 2026, elaborado pela OMS em conjunto com a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC). O documento mostra que o câncer permanece como a segunda principal causa de morte no planeta, atrás apenas das doenças cardiovasculares, e destaca que uma em cada cinco pessoas deverá receber um diagnóstico da doença ao longo da vida. Além disso, a OMS estima que 92% da população mundial será impactada pelo câncer de forma direta ou indireta, seja por um diagnóstico pessoal ou pelo adoecimento de um familiar próximo.
Segundo o relatório, o aumento do número de casos está relacionado ao envelhecimento da população, ao crescimento demográfico e à maior exposição a fatores de risco, como tabagismo, consumo de álcool, obesidade, alimentação inadequada, sedentarismo e poluição do ar. A entidade destaca, no entanto, que políticas públicas voltadas à prevenção já contribuíram para reduzir alguns tipos de câncer em países que investiram no controle do tabaco, em programas de vacinação e em ações de promoção da saúde.
Outro ponto destacado é a desigualdade no acesso aos serviços de saúde. Enquanto países de alta renda apresentam maior oferta de exames, tratamentos e medicamentos, nações de baixa renda enfrentam dificuldades para disponibilizar cuidados oncológicos básicos. O relatório aponta que a disponibilidade dos principais medicamentos contra o câncer varia entre 68% e 94% nos países mais ricos, mas pode ficar entre apenas 9% e 54% nas nações de baixa e média-baixa renda.
As diferenças também aparecem nas taxas de sobrevivência. Nos países de alta renda, cerca de 87% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama permanecem vivas cinco anos após o diagnóstico. Nos países de baixa renda, esse percentual cai para aproximadamente 42%, refletindo o acesso desigual ao diagnóstico precoce e ao tratamento especializado.
O impacto financeiro da doença também é apontado como um dos principais desafios. De acordo com a OMS, pelo menos 45% das pessoas com câncer enfrentam dificuldades econômicas relacionadas ao tratamento. Em alguns países de menor renda, os custos levam muitos pacientes a interromper ou até abandonar o acompanhamento médico por falta de condições financeiras.
O relatório também registra avanços em políticas de controle do câncer. Desde 2010, o consumo de tabaco caiu cerca de 27% em nível global, e 82% dos países já possuem planos nacionais de controle da doença. A OMS afirma que a ampliação da vacinação contra infecções associadas ao câncer, o fortalecimento do diagnóstico precoce e a ampliação do acesso ao tratamento estão entre as principais estratégias para reduzir a carga da doença nas próximas décadas.
Redação: Vale FM






