Dados revelam que no período de 2006 a 2023, a população brasileira teve um aumento de 12,5%
A obesidade no Brasil tem aumentado de maneira significativa durante os últimos anos. Dados do Ministério da Saúde e da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) revelam que no período de 2006 a 2023, a população brasileira teve um aumento de 12,5% nos casos de obesidade no país. Outro dado divulgado pelo órgão aponta que na capital Salvador 24,1% dos homens e 26,8% das mulheres estão obesos.
Relatório recente do UNICEF em 2025, afirmou que a obesidade passou a superar a desnutrição entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos. O levantamento aponta que 9,4% desse público vive com obesidade, enquanto 9,2% enfrenta desnutrição. O dado ilustra uma mudança importante nos padrões de alimentação e saúde em todo o mundo.
Na Bahia, a tendência também preocupa. De acordo com um estudo da ImpulsoGov, baseado em dados do sistema estadual de saúde, o número de jovens entre 10 e 19 anos com excesso de peso aumentou de 20% em 2014 para 29% em 2024.
Além de que relatórios e painéis do Ministério da Saúde e do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) mostram números preocupantes, incluindo registro de centenas de milhares de pessoas com obesidade em níveis graves. Na ocasião, levantamentos estaduais e compilados indicaram, por exemplo, mais de 400 mil baianos com obesidade mórbida, que é o terceiro estágio da condição.
Consequências e dificuldades no cotidiano
De acordo com especialistas, a obesidade facilita o desenvolvimento de doenças físicas como a hipertensão, diabetes do tipo 2, doenças cardiovasculares, problemas osteoarticulares, entre outros. Além disso, as limitações físicas fazem com que atividades diárias, como subir escadas e amarrar os cadarços dos sapatos, por exemplo, sejam realizadas com grande dificuldade o que causa impacto direto na qualidade de vida dessas pessoas.

Imagem: pneumocenter.com.br
A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) em sua pesquisa no ano de 2022, afirmou que 85,3% das pessoas consideradas obesas no Brasil já passaram por discriminações e constrangimentos referente ao peso. As pessoas que foram entrevistadas falaram que os ambientes mais comuns são em locais de trabalho, roda de amigos e ambiente familiar.
O aumento da obesidade no Brasil fica aparente quando observamos fatores como o sedentarismo (que é o estilo de vida caracterizado pelo baixo gasto de energia e falta de exercícios físicos) e na maneira de se alimentar, ao comer produtos de origem duvidosa ou ultraprocessados, como salsichas, salgadinhos e refrigerantes.
Como ser diagnosticado
A obesidade pode ser diagnosticada durante uma consulta médica rotineira. O profissional de saúde geralmente calcula o Indice de Massa Corporal (IMC), para classificar se a pessoa está abaixo ou acima do peso. O cálculo divide o peso (Kg), pela altura (m) elevado ao quadrado (IMC = peso ÷ altura²). O valor final será comparado e classificado de acordo com a seguinte tabela:

Tabela de Indice de Massa Corporal (IMC). Imagem: Unidade de Mentabolismo e Diabetes (UMD)
Além disso, outras verificações são realizadas. O teste perfil lipídico por exemplo, analisa os níveis do colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL, ou "colesterol ruim") e do o colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL, ou "colesterol bom"). Já no teste de tolerância à glicose (CTT) verifica-se que o nível de glicose (açúcar) no sangue está alto, o que pode ou não indicar o desenvolvimento de algum tipo de diabetes.
Tratamento e medidas recomendadas por especialistas
O tratamento da obesidade no Brasil segue protocolos oficiais e começa com a avaliação feita por profissionais de saúde. Depois que as informações bases são coletadas, a exemplos do IMC, hábitos alimentares e nível de atividade física, o agente de saúde monta um plano de autocuidado para cada paciente.
A primeira recomendação médica costuma ser a mudança no estilo de vida. Essa mudança inclui alimentação mais equilibrada, com prioridade para alimentos naturais ou minimamente processados. Também é indicado iniciar atividade física regular, adaptada às condições de cada paciente, com aumento gradual conforme a capacidade. Além disso, sono regular, diminuição do sedentarismo e apoio psicológico tornam o tratamento ainda mais eficaz.
Quando essas medidas não são suficientes, ou quando a obesidade é mais grave, os médicos podem avaliar o uso de medicamentos específicos, mas vale a pena destacar que esses remédios só podem ser usados com acompanhamento médico, porque exigem ajustes, e em muitas situações, durante outros tratamentos, precisam ser monitorados constantemente para avaliar resultados e segurança.
Cirurgia bariátrica
Nos casos mais severos, a cirurgia bariátrica pode ser indicada. Esse procedimento começou a ser desenvolvido na década de 1950, nos Estados Unidos, quando médicos passaram a estudar formas de reduzir a absorção de alimentos em pessoas com obesidade grave.
Nos anos seguintes, técnicas foram sendo aprimoradas para aumentar a segurança dessa cirurgia. Na década de 1970, o cirurgião Edward Mason criou procedimentos que deram origem ao bypass gástrico moderno, que até hoje é um dos mais realizados no mundo.
A partir dos anos 1980, o bypass em Y de Roux se consolidou como referência por oferecer melhores resultados. Já na década de 1990, a chegada da videolaparoscopia permitiu cirurgias com cortes menores, menos dor e recuperação mais rápida. Nos anos 2000, novas técnicas como o sleeve gástrico e os procedimentos metabólicos ampliaram as opções de tratamento, especialmente para pessoas com diabetes tipo 2.

Diferença da cirugia bariátrica bypass em y e sleeve. Imagem: pedrohenriquecaron.com
Atualmente, a cirurgia bariátrica evoluiu com o uso de tecnologia robótica, novas derivações e critérios atualizados para indicação, tornando o procedimento mais seguro e acessível. O procedimento é considerado como uma das cirurgias mais estudadas e eficazes no tratamento da obesidade grave.
A obesidade é um dos principais desafios de saúde pública na Bahia e no Brasil, mas especialistas afirmam que é possível reverter o quadro com tratamento e acompanhamento médico adequado. Na rede pública, profissionais têm observado bons resultados em pacientes que seguem orientações médicas, adotam alimentação equilibrada e praticam atividades físicas diariamente. Então, buscar ajuda médica é o primeiro passo para recuperar a saúde, melhorar a qualidade de vida e garantir um futuro com mais bem-estar.
Da Redação CSFM




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