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14/07/2025 18:00

Desde a noite de sábado (12), homens armados já atiravam em vias públicas, nas proximidades do Pelotão da Polícia Militar

Um confronto entre policiais e suspeitos resultou na morte de um homem de 22 anos, em Camamu, no Baixo Sul da Bahia, na tarde de domingo (13). Desde a noite de sábado (12), homens armados já atiravam em vias públicas, nas proximidades do Pelotão da Polícia Militar (PM) e da residência de um policial, embora sem um alvo definido.

Na manhã do domingo (13), a Polícia Militar localizou os suspeitos na região de Dendê de Baixo. No tiroteio que se seguiu, Leandro foi baleado e morreu; com ele, a Polícia Civil apreendeu uma arma de fogo. Em razão da gravidade e da insegurança reinante, a prefeitura optou por suspender as aulas nesta segunda-feira (14), e orientou que os alunos cumprissem atividades em casa.

Esse episódio ilustra o colapso da segurança pública no sul e extremo sul da Bahia. A estratégia adotada pelo Estado — essencialmente baseada em ações pontuais e repressivas — tem se mostrado incapaz de controlar uma violência multifacetada. Facções criminosas disputam território, tráfico e influência em zonas rurais e comunidades indígenas; ao mesmo tempo, tensões agrárias entre fazendeiros e povos originários (especialmente Pataxó) avançam com frequência, alimentadas pela defasagem do Estado.

Ainda em 2025, já houve relatos de conflitos graves em municípios como Itamaraju, Prado e Porto Seguro, além de diversas investidas violentas contra comunidades indígenas e propriedades rurais, inclusive com mobilização de Força Nacional. Em março, indígenas Pataxó da Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, entre Porto Seguro e Itamaraju, foram atacados por pistoleiros fortemente armados. O jovem Vitor Braz foi assassinado, e outro indígena baleado em estado grave. Meses antes, em janeiro de 2024, a liderança Maria de Fátima, conhecida como Nega Pataxó, também foi assassinada. Mesmo após os ataques, a proteção estatal às aldeias segue insuficiente, limitada a operações esporádicas e reativas.

No município de Belmonte, o distrito de Barrolândia tem se tornado um dos pontos mais críticos. Em setembro de 2024, um casal supostamente ligado ao tráfico morreu em confronto com a PM; com eles, foram apreendidas armas, mais de 800 pinos de cocaína e 580 papelotes de maconha. A ocorrência foi apenas uma entre várias. Já em julho de 2025, outra ação terminou com intenso tiroteio e fuga de criminosos armados que abandonaram explosivos, fuzis e drogas em meio a plantações de eucalipto. Nenhum reforço duradouro foi enviado ao distrito, apesar da escalada da violência.

Em Porto Seguro, além da guerra entre facções, multiplicam-se relatos de ataques contra comunidades indígenas, escolas e residências. A ausência de presença policial fixa em áreas críticas e a falta de estrutura para as guarnições locais são constantes.

O governo baiano, alvo de críticas da Defensoria Pública da União, do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria da Bahia, foi instado a aprimorar sua capacidade de resposta, mas permanece refém de operações isoladas e pouco eficazes dentro de um plano de segurança que se limita a seis municípios, sem participação direta dos indígenas.

A população paga caro por esta ineficiência. Policiais, por exemplo, são alvos frequentes — vítimas de emboscadas, cercos e ataques direcionados. Em abril, a residência do comandante da PM em Ilhéus foi invadida por criminosos, que abriram fogo dentro do imóvel — embora seu nome não tenha sido divulgado, o episódio deixou clara a vulnerabilidade das estruturas policiais. Testemunhas confirmam que “forças táticas” chegaram a ser atacadas em pleno domicílio. Somado a isso, há registros constantes de viaturas atingidas, policiais feridos e agentes atingidos em serviço, um retrato de um Estado incapaz de proteger seus agentes, e pior: sem tranquilidade para os cidadãos.

A morte do homem em Camamu, portanto, não é um caso isolado: é a expressão extrema de uma falência sistêmica do modelo de segurança pública no Estado. A resposta emergencial, que supostamente passou a incluir reforços policiais, blitzes e operações militares, falha em abordar as causas profundas da crise — o colapso institucional, ausência de planejamento estratégico, falta de inteligência, negligência com comunidades vulneráveis e déficit de recursos.

Um exemplo recente dessa falência foi o ataque à base da Polícia Militar de Camamu e à residência de um oficial na noite do sábado (12). Criminosos da facção Comando Vermelho, armados com fuzis, dispararam contra a sede da 33ª CIPM e também contra a casa do comandante local. Nenhum suspeito foi preso, e os danos foram visíveis. O atentado ocorreu horas antes da troca de tiros que culminaria na morte do suspeito no domingo.

Até que se instaure um programa de segurança integrado, com inteligência, respeito aos direitos humanos, diálogo intersetorial e atuação preventiva nas áreas indígenas e rurais, episódios como o de Camamu tenderão a se repetir, aumentando o medo, retirando crianças das escolas e corroendo a confiança nas instituições públicas baianas.

 

Da Redação CSFM







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