A Bahia ocupa um lugar central nessa trajetória.
Celebrado nesta segunda-feira (3), o Dia do Capoeirista homenageia uma das maiores expressões da cultura afro-brasileira. Muito mais do que uma luta ou uma dança, a capoeira reúne música, ritmo, tradição, resistência e identidade, sendo reconhecida como um dos principais símbolos culturais do Brasil.
A história da capoeira começou entre os séculos XVI e XIX, durante o período da escravidão. Desenvolvida por africanos escravizados e seus descendentes, ela surgiu como uma forma de resistência e preservação cultural. Para evitar a repressão, os movimentos de combate eram disfarçados em forma de dança, acompanhados pelo som do berimbau, do atabaque e das palmas, dando origem à tradicional roda de capoeira.
Durante muitos anos, a prática foi perseguida e chegou a ser considerada crime no Brasil, no fim do século XIX. Apenas nas décadas seguintes passou a ser aceita oficialmente, ganhando espaço em academias, escolas e projetos sociais, até se tornar um dos maiores patrimônios culturais do país.
A Bahia ocupa um lugar central nessa trajetória. Foi em Salvador que mestres históricos, como Mestre Bimba e Mestre Pastinha, contribuíram para organizar, fortalecer e difundir a capoeira, consolidando diferentes estilos e formando gerações de praticantes. Até hoje, o estado é considerado o principal berço da modalidade e um dos maiores centros de preservação dessa tradição.
O reconhecimento ultrapassou as fronteiras brasileiras. Em 2008, a roda de capoeira e o ofício dos mestres foram registrados como Patrimônio Cultural do Brasil. Seis anos depois, em 2014, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) declarou a Roda de Capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Atualmente, a prática está presente em mais de 160 países, levando a cultura brasileira para todos os continentes.
Além do aspecto esportivo, a capoeira desempenha um importante papel social. Em diversos municípios brasileiros, ela é utilizada em projetos educacionais e comunitários, promovendo inclusão, disciplina, respeito, valorização da cultura afro-brasileira e formação cidadã.
Neste 3 de agosto, rodas de capoeira, apresentações culturais e homenagens a mestres e praticantes marcam a data em várias cidades do país. A celebração reforça a importância de preservar uma tradição que nasceu da resistência, se fortaleceu na Bahia e hoje representa o Brasil em todo o mundo.
Da Redação CSFM






