A proposta ainda precisa ser aprovada pelas associações nacionais
Uma proposta da Fifa para criar uma empresa responsável pela gestão dos direitos comerciais da Copa do Mundo e de outras competições provocou um novo conflito com a Uefa. O projeto prevê a entrada de investidores privados na exploração comercial dos torneios, mantendo a entidade como acionista majoritária.
Batizada de FIFA Forward Enterprise (FFE), a subsidiária teria valor estimado em cerca de US$ 20 bilhões. A Fifa pretende vender uma participação minoritária para captar aproximadamente US$ 4,2 bilhões, recursos que, segundo a entidade, seriam destinados à ampliação dos investimentos e à redistribuição de verbas entre as 211 federações nacionais filiadas.
A proposta ainda precisa ser aprovada pelas associações nacionais, mas já gerou forte reação da Uefa. Em comunicado, a entidade europeia afirmou que "a alma e a governança do futebol não são ativos para negociação", defendendo que a administração do esporte não deve ser submetida a interesses de investidores privados.
A discussão vai além da questão financeira. Nos últimos anos, a Fifa ampliou o número de seleções na Copa do Mundo, reformulou o Mundial de Clubes e passou a estudar uma competição com 64 seleções, medidas que enfrentaram resistência da Uefa por causa do impacto no calendário internacional.
Especialistas em direito desportivo avaliam que a entrada de capital privado, por si só, não representa um problema. No entanto, destacam que será necessário conhecer a estrutura de governança da nova empresa para garantir que investidores não tenham influência sobre decisões esportivas, como regulamentos, calendário e formato das competições.
Segundo a Fifa, a entidade manterá o controle das decisões esportivas e regulatórias, enquanto a nova empresa ficará responsável apenas pela exploração comercial dos direitos. Ainda assim, dirigentes e especialistas defendem maior transparência sobre os direitos dos futuros investidores e os mecanismos de governança.
O debate também ocorre em meio às definições das próximas edições da Copa do Mundo. O torneio de 2030 será disputado em Espanha, Portugal, Marrocos, Uruguai, Argentina e Paraguai, enquanto a Arábia Saudita sediará a edição de 2034. A possibilidade de futuras expansões da competição segue no centro das discussões entre as entidades que comandam o futebol mundial.
Da Redação CSFM






