Esportes

1 14/10/2019 11:00

O técnico Rodrigo Santana não resistiu à goleada sofrida pelo Atlético Mineiro diante do Grêmio, pelo placar de 4x1, no domingo (13), e foi demitido pela diretoria atleticana. Ao longo da partida disputada no Independência, em Belo Horizonte, o treinador foi alvo de xingamentos e ofensas por parte da torcida, que chegou a pedir o nome de Cuca.

"Vim comunicar ao torcedor que o Rodrigo não é mais treinador do Atlético. Tentamos fazer algo diferente do que normalmente acontece no futebol brasileiro. Entendíamos que ele merecia, até pela forma que ele assumiu, merecia o tempo para recuperar o que ele já havia demonstrado. Mas o tempo não é mais o suficiente", disse o diretor de futebol, Rui Costa.

Ele também disse que não tem nenhum nome certo para comandar a equipe no momento. E evitou apontar o perfil desejado para o futuro treinador atleticano. Assim, o auxiliar Lucas Gonçalves deve ser o interino à frente da equipe na próxima rodada, contra o CSA, na quarta-feira, em Maceió.

Após o jogo, o zagueiro Réver falou que a pressão vem atrapalhando a equipe. "Nossa maior dificuldade tem sido dentro de casa. A gente é obrigado a sair daqui escutando reclamação da torcida. Agora é esfriar a cabeça e pensar no jogo fora de casa, talvez psicologicamente seja melhor jogar fora do que em casa", desabafou.

O meia Vinícius também comentou sobre o momento delicado vivido pelo time. "Ficou evidente que o lado psicológico pesou. Estávamos melhor e tomamos um gol na falha nossa de um jogador experiente. Não foi só ele, foram todos que falhamos. Temos que falar menos agora. O torcedor tem o direito de xingar, só não pode arremessar bebida alcoólica na gente. Somos pai de família e somente a gente pode tirar o clube desta situação", afirmou.

Já o experiente goleiro Wilson admitiu o erro que gerou o primeiro gol gremista. "Uma infelicidade, acontece. É aquela bola que não sabe se vai sair ou não. Ficou muito dentro do gol, acabei me desequilibrando e a bola acabou entrando".

DEMISSÃO

A dura derrota sofrida no domingo foi a gota d'água na sequência negativa do Atlético nas últimas semanas. O time venceu apenas um dos últimos 11 jogos e somou apenas quatro pontos neste período. Assim, estacionou nos 31 pontos, na parte intermediária da tabela e, assim, ainda mais longe da zona de classificação à Copa Libertadores, que ocupou durante boa parte do Brasileirão.

O jogo de domingo foi marcado por um clima tenso entre as arquibancadas e o banco de reservas. No momento em que participava do aquecimento com os outros atletas, o atacante Ricardo Oliveira se descontrolou com as ofensas da torcida e precisou ser acalmado pelos companheiros. Ao fim da partida, Santana sequer se encaminhou para a entrevista coletiva.

O treinador, contratado inicialmente para comandar o time sub-20, assumiu interinamente a equipe profissional em abril, em substituição a Levir Culpi. Seu primeiro desafio foi a final do Campeonato Mineiro, em que o clube foi derrotado pelo arquirrival Cruzeiro. Logo em seguida, o time fracassou também na fase de grupos da Copa Libertadores.

Santana, contudo, resistiu à fase ruim em razão das boas apresentações no início do Brasileirão. Tanto que foi efetivado no fim de julho. O alívio, contudo, foi momentâneo. Na retomada da temporada nacional, ao fim da disputa da Copa América, o Atlético foi eliminado novamente pelo Cruzeiro, nas quartas de final da Copa do Brasil.

Ao mesmo tempo, passou a cair de rendimento no Brasileirão. E foi se afastando das primeiras colocações a cada rodada. Para piorar, o Atlético foi eliminado na semifinal da Copa Sul-Americana, que era a grande esperança de título para o time na temporada.

No total, Santana obteve aproveitamento de 48,7% dos pontos disputados no comando do Atlético. Foram 41 jogos, nos quais obteve 18 vitórias, seis empates e 17 derrotas.

Estadão







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